30 de Julho 2010
 
  Eventos esportivos como a Copa do Mundo estimulam você a praticar exercícios?

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Atividade física reduz sintomas de asma


Estudos realizados pelo Serviço de Fisioterapia do Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, apontam que a atividade física reduz em até 60% os sintomas de asma, como tosse, chiado, falta de ar e aperto no peito. De 16 episódios por mês, os pacientes passaram a apresentar seis episódios.


Os aspectos psicossociais, como ansiedade e depressão, características do asmático por natureza, também foram atenuados, comprovando a eficácia do método para a melhora da qualidade de vida e auto-estima dos pacientes.


A asma é uma doença inflamatória da mucosa bronquial que impede a passagem do ar até os pulmões. O quadro é caracterizado por falta de ar acompanhado de tosse, chiado e aperto no peito. Normalmente é controlado com o uso de broncodilatadores que cumprem a função de expandir os brônquios e permitir a passagem do ar.

O estudo, o maior em termos populacional, avaliou 101 pacientes adultos, com idade de 20 a 50 anos, em tratamento no Hospital das Clínicas, durante três anos.

Num primeiro momento, os indivíduos participaram de programa educacional. Os pesquisadores enfatizaram o controle dos fatores ambientais que desencadeiam as crises asmáticas, o uso correto da medicação durante o tratamento e a auto monitorização dos sinais e sintomas da asma.


Depois, os pacientes foram divididos em dois grupos. O primeiro passou por um tratamento fisioterápico, com a realização de exercícios respiratórios e treinamento aeróbico, além do acompanhamento clínico. As atividades físicas aconteceram, duas vezes por semana, durante 30 minutos, por três meses.

O outro grupo só recebeu exercícios respiratórios e acompanhamento clínico. Em ambos os casos a medicação não foi alterada.


Os resultados surpreenderam os especialistas. Os pacientes submetidos a atividades físicas tiveram menos sintomas de asma e melhoraram a qualidade de vida, especialmente na época do inverno, quando se intensifica os problemas de saúde, enquanto o outro grupo não apresentou mudanças no quadro clínico.


Segundo o fisioterapeuta Felipe Mendes, autor do trabalho, a atividade física, na maioria das vezes, é considerada uma vilã para pacientes asmáticos por ser um dos fatores desencadeantes mais comuns de crises.

Por essa razão, os portadores de asma tendem a ser menos ativos e mais descondicionados que seus pares saudáveis. No entanto, quando o exercício físico é realizado corretamente as complicações são minimizadas.

Em 2007, estudos do Hospital das Clínicas comprovaram a eficácia do método em crianças. Agora, os pesquisadores querem compreender a influência do exercício aeróbio no processo inflamatório pulmonar.

Uma das hipóteses é que o exercício aeróbio reduz a resposta alérgica e aumenta a produção de mediadores antiflamatórios como já verificado em estudos com animais, explica Celso Carvalho, orientador do estudo.

Fonte: Serviço de Fisioterapia do Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP
   

Andar para trás faz bem?


* Fabio Ravaglia

As civilizações do outro lado do planeta desenvolveram sabedorias ainda pouco conhecidas no mundo ocidental. Entre os orientais, é bem comum praticar movimentos com o corpo que, nas ações corriqueiras, em geral não realizamos. Recentemente estive na China e me chamou a atenção o hábito de andar para trás.

Pelas praças, vi inúmeras pessoas caminhando de marcha à ré, sozinhas ou em grupos. Segundo os praticantes (muitos adeptos do tai-chi-chuan), andar de costas é indispensável para ativar a memória e para manter o equilíbrio físico e mental. Os benefícios para o corpo existem de fato. Caminhar para trás fortalece a musculatura posterior das pernas.

A locomoção para trás força menos os joelhos do que quando se anda para frente. Por isso, muitas vezes quando se anda para trás, dores nos joelhos desaparecem. Na marcha reversa, a movimentação do pé difere completamente do andar para a frente. A primeira parte a tocar o chão não é o calcanhar: é a ponta do pé. Com isso, exercita-se e coloca-se o peso do corpo em pontos que, normalmente, não são requisitados na locomoção. A postura de todo o corpo fica mais correta, ajudando a coluna a ficar ereta.

Por ser menos natural, o movimento coloca outros ossos e músculos para funcionar, possibilitando à pessoa ganhar agilidade com o corpo e melhorar sua performance. Um estudo feito pelo especialista em biomecânica Barry T. Bates, no Canadá, aponta para o desenvolvimento das funções neuro-musculares em praticantes da marcha à ré.

Caminhar para trás é recomendado por fisioterapeutas e médicos para a reabilitação dos movimentos normais em vários casos cirúrgicos e de lesões. Faz parte do processo de reabilitação de: cirurgia no joelho, lesões musculares no quadril ou na lombar e danos causados por torções no tornozelo ou no calcanhar. É um estímulo que, associado a outras terapias, tem mostrado sua eficácia.

A medicina esportiva, há muito tempo, aplica os movimentos de marcha à ré tanto em treinamentos quanto em terapias de atletas. Em muitos esportes, correr para trás tão bem quanto para frente faz a diferença entre ganhar ou perder. Jogadores de futebol sabem que correndo de costas deixam a bola, os adversários e os colegas em seu campo de visão para pensar e realizar a melhor jogada.

Como em qualquer atividade física, é preciso precaução. Para praticar a marcha para trás, recomendo ainda mais atenção do que na caminhada para frente. Escolha um terreno plano e sem muita gente em movimento. Os iniciantes devem dar passos bem pequenos e olhar para um ponto fixo, o que ajuda a manter o equilíbrio do corpo. Muito cuidado com os obstáculos para evitar quedas. Para adicionar outros graus de dificuldade ao exercício, pode-se subir ou descer ladeiras e aumentar, gradativamente, a velocidade e o trajeto. Sempre observe suas próprias limitações. Há pessoas que se sentem tontas ao caminhar para trás. Lembre-se de consultar um médico antes de iniciar atividades físicas.

*Médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) com especialização em coluna vertebral pelo Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho - Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.